Entrevista Obmepeira com Professor Genilson Costa #01

E hoje começamos uma série de entrevistas com obmepeiros de todo o Brasil! Para começar, como hoje é dia dos professores teremos um professor! Contaremos a história de Genilson Costa, professor de matemática e que já foi obmepeiro, fez a 1ª edição da OBMEP em 2005 e viu na falta de apoio que sua escola dava na época motivação para hoje ajudar a alunos serem premiados.

Para iniciarmos conte um pouco de sua história.

Sou o Professor Genilson Costa, residente na Cidade de Coronel Ezequiel – RN, 140km da Capital Natal. Meu pai e minha mãe são agricultores e não dispunha de instrução. Devo muito a minha mãe. Na época do colégio eu morava no sítio e caminhava 3km a pé até a cidade para estudar, sempre fazia as atividades de casa, porém isso não foi o suficiente para conquistar uma medalha na OBMEP. Lembro-me que na primeira edição da OBMEP, 2005, fiquei entusiasmado para conseguir uma vaga para segunda fase, porém não tive êxito. Os anos foram se passando e não cheguei nem a segunda fase da olimpíada, na verdade é que os professores da época do colégio não tinham entusiasmo em relação à olimpíada.  Quando eu estava na segunda série do ensino médio chegou um professor (Mestre em Matemática Pura e com experiência como professor substituto da UFRN), Sebastião Neto, que sempre incentivava a turma a ir além do ensino médio, buscar uma vaga em uma universidade ou instituto federal. Em 2009 concluindo a terceira série do ensino médio consegui uma vaga no curso técnico em Informática do IFRN, mas sempre se lembrava das palavras do professor Neto, que dizia que a matemática é muito fascinante, bela e prazerosa, foi então que em 2011 passei no vestibular da UFERSA e iniciei o curso de matemática.

Como conheceu as olimpíadas e por que se interessou nelas?

Conheci as olimpíadas de matemática ainda na época do colégio, inclusive participei da primeira edição da OBMEP, na época não tive a sorte de estudar em escolas que divulgassem as olimpíadas. Meu interesse maior pelas olimpíadas iniciou quando entrei na faculdade de matemática e iniciei a pesquisar sobre as demais olimpíadas.

Como começou o seu trabalho com olimpíadas? Quais as dificuldades que encontrou e os resultados obtidos?

Para ser preciso o meu trabalho com olimpíadas teve início ainda na faculdade, na época eu pesquisei sobre as principais olimpíadas de matemática do país, assim como baixei provas anteriores e materiais de apoio de todas as olimpíadas formando uma biblioteca digital com mais de 80GB de arquivos. Tudo isso para quando iniciar minha carreira docente desenvolver um projeto voltado à matemática olímpica. Meu primeiro ano atuando como professor de matemática foi bem complicado, a realidade era totalmente diferente do que eu imaginava. Colegas de trabalho e direção da escola não se dispunham a ajudar no projeto olímpico, mesmo assim implantei o projeto durante minhas aulas resolvendo provas anteriores e aplicando o material que tinha selecionado durante o período da graduação. A receptividade dos alunos foi bem melhor do que eu esperava, até porque muitos não conheciam o que as olimpíadas podem oferecer, então quando apresentei o projeto olímpico muitos se interessaram, porém a falta de base matemática era gritante. O resultado chegou ao segundo ano com uma medalha de bronze no Concurso Canguru de Matemática, foi também a época que deixei a escola e fui trabalhar na cidade vizinha, Santa Cruz. Chegando a Santa Cruz iniciei meu projeto olímpico, agora com total apoio da direção e engajamento dos alunos. Os resultados iniciaram logo no primeiro ano com seis medalhas no Canguru de Matemática, inclusive uma de ouro. Em 2017 continuamos com bons resultados no Canguru de Matemática 5 Medalhas, OBMEP 2 Medalhas e 1 Menção Honrosa e Olimpíada do Estado do Rio Grande do Norte – OMRN 4 Medalhas. Outro destaque para o ano de 2017 é que pela primeira vez uma escola da região do trairi conquista medalha na OBMEP e OMRN. Em 2018 já conquistamos 10 medalhas no Canguru de Matemática e estamos aguardando o resultado da prova das demais olimpíadas.

Como você trabalha as olimpíadas em sala de aula?

Meu trabalho é desenvolvido em duas etapas. Primeira etapa, abordo questões das olimpíadas dentro do conteúdo em sala de aula e nas provas para mostrar ao aluno que ele é capaz de resolver e que não é algo fora da realidade dele. Além disso organizei aulas extras para aqueles que participam da segunda fase da OBMEP, OMRN e OBM. Essas aulas são para trabalhar provas anteriores e os bancos de questões. Outro ponto importante é nosso grupo no WhatsApp para casa nível, lá discutimos questões, provas anteriores e desafios das mais variadas olimpíadas.

O primeiro passo é apresentar o que a olimpíada pode oferecer ao aluno, criar uma Cultura olímpica na escola. Inclusive no início cheguei a entrar em contato com alunos de outros Estados do país que tinham ganhado medalhas para enviar áudio “emolumentos” de incentivo, assim mostra que eles também são capazes de vencer uma olimpíada.

Como essas competições transformaram a sua vida e a vida de seus alunos?

As olimpíadas transformam vidas, hoje temos dois alunos participando do Programa de Iniciação Cientifica promovido pelo IMPA e outros dois participando de um curso de matemática olímpica no IFRN. Além disso, me deixa mais motivado a sempre buscar me aperfeiçoar deixando um clima agradável na comunidade escolar. Hoje estou concluindo minha especialização em matemática pura e já pensando em cursar o mestrado para que possa cada dia transmitir o melhor da matemática para meus alunos.

Quer terminar com alguma mensagem?

Acredito no potencial que as olimpíadas de matemática têm em transformar vidas, não estou falando apenas do aluno, mas também a do professor. Quando iniciei com o projeto olímpico eu tinha uma grande dificuldade em determinados conteúdos, então comprei todos os livros da coleção professor de matemática publicado pela SBM e fui estudar um pouco para entender como funciona a matemática olímpica, hoje me sinto seguro em trabalhar com as olimpíadas.

 

Fundador e Diretor Geral

Natural de Maracaí no interior paulista, tem 18 anos e está em processo de preparação para o Vestibular do ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Criou a Obmepeiros em novembro de 2015 e coordenou a Olimpíada Brasileira Virtual de Matemática até 2018.

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