Continuando a nossas entrevistas convidamos mais um professor para comemorar o dia dos professores! Agora é a vez do Rodrigo de Sousa Nascimento, professor de matemática dos colégios Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima em Barbalha interior do Ceará.

Para iniciarmos conte um pouco de sua história.
Bom… Tive infância pobre. Nascido no Rio de Janeiro/RJ, mas residindo em Juazeiro do Norte/CE há 29 anos. Minha mãe, lavadeira de roupa e vendedora de picolé, sempre mostrou a importância da educação e incentivou para que os filhos estudassem. Tudo começa com uma religiosa, Ir. Dora que acredita nas minhas potencialidades, me incentiva e tem ligação com a escola que recebia as crianças moradoras da periferia. Nunca estudei lá, porém ali era um refúgio. Via como lá as crianças eram felizes e como meu irmão era feliz nessa escola.
Ao longo da vida estudantil sempre encontrei professores que acreditavam na capacidade de seus alunos. Professor Haroldo, Maria Félix, Patrícia, Leidimar, Atenéia Suliano, Vanda Lúcia, Erineide e tantos outros nomes que poderia citar do ensino fundamental. Ser aluno do IFCE no ensino médio alavancou minha vida acadêmica e foi de muita valia estudar com Terezinha, Zelálber, Hildênio, Fernando, Mário de Assis… A imagem de todos eles me comove ao fazer esta memória. Passei no vestibular para Medicina e Engenharia, mas assumi a Matemática, minha paixão de estudo, a qual eu poderia usar para transformar a sociedade e as vidas nela presentes, assim como minha vida foi transformada pela educação.
Como começou o seu trabalho com olimpíadas? Quais as dificuldades encontrou?
Nesse percurso, já como docente, no início do magistério sou interpelado por uma aluna, Polyana Félix sobre a OBM, o  que eu achava de inscrever os alunos. Isso aconteceu em 2014, e desde então nunca mais abandonei o trabalho com Olimpíadas Científicas. Quantos alunos pude acompanhar e testemunhar a mudança, o ampliar do horizonte, o desafio, sair da posição de anonimato ou conforto e se descobrir protagonista de uma educação melhor. Houveram dificuldades… Como houveram… Vivemos ainda numa pedagogia do caderno cheio e cabeça vazia. Outro fator de dificuldade é entender que numa Olimpíada concorre-se consigo mesmo. O desafio é ser melhor do que era, e não melhor que o colega. A medalha simboliza uma árdua caminhada, que nunca acaba, apenas demarcando mais uma etapa. Há crescimento acadêmico e principalmente humano na partilha de conhecimentos, percebendo-se que há muito além da sala de aula.
Repito e sustento: Aluno Olímpico é diferenciado. Na aula comum este aluno vai além, já que na preparação para as ditas Olimpíadas estudamos sempre um pouco mais. É uma metodologia ativa, aluno-professor-aluno, que coloca o professor para estudar com perguntas diferenciadas. Não dá para ser o professor que afirma estar com o plano na cabeça ou com estrelato.
Por isso só gratidão. Como aprendi com estas Olimpíadas e com os alunos que dela participam.
Os resultados foram chegando: Canguru de Matemática, Robótica, Astronomia, Olimpíada Brasileira do Saber, Mostra Nacional de Robótica, etc. Aos poucos fui participando da logística de todas, com um grupo de colegas que foram abraçando a causa. Uma coisa é certa: Olimpíada Científica  é um divisor de águas seja na instituição pública ou particular, na zona rural ou urbana.
Desde o início inscrevo, convido, e vem para a aula quem deseja. Isso é essencial, deixar livre para fazer parte, e deste ponto em diante assumir o compromisso.
Quer terminar com alguma mensagem?

Ao reiniciar cada dia, revivo a memória de confiança que cada Professor teve em mim, para mudar e transformar o meu país através da educação.